A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) recebeu, na manhã desta terça-feira, 13, três pesquisadores da Universidade de Hokkaido, uma das mais prestigiadas instituições públicas de pesquisa do Japão. A visita ao Laboratório de Monitoramento de Biota Marinha, vinculado ao Projeto Cetáceos da Costa Branca (PCCB/Uern), abriu novas perspectivas de cooperação científica internacional.
O estudo dos pesquisadores japoneses tem como foco as características biomoleculares relacionadas ao paladar e às sensações da língua em animais. Eles identificaram a possibilidade de ampliar esse trabalho a partir da troca de experiências com os pesquisadores brasileiros.
“Eles encontraram dois artigos que publicamos recentemente em parceria com a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) sobre línguas de golfinhos, e isso chamou muita atenção, especialmente porque nosso trabalho aborda também animais que não existem lá”, destacou a coordenadora do Laboratório de Monitoramento de Biota Marinha, professora Bernadete Fragoso.
Durante o fim de semana, os visitantes conheceram outras estruturas mantidas pela Uern, entre elas o Centro de Reabilitação de Animais Marinhos, em Areia Branca, e o Recinto de Aclimatação de Peixes-Boi, localizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Ponta do Tubarão, em Macau.
As visitas permitiram apresentar o trabalho de pesquisa, conservação e reabilitação da fauna marinha desenvolvido pela Universidade, além de evidenciar a relevância dessa atuação para a proteção da biodiversidade brasileira.
“Eles estão maravilhados, pois não imaginavam que aqui no semiárido pudéssemos ter toda essa estrutura. A ideia é podermos estreitar esses laços e ampliar as parcerias com outros pesquisadores”, afirmou Bernadete.
Para o pesquisador visitante Takashi Hayakawa, a diversidade da fauna brasileira representa uma oportunidade valiosa para aprofundar o conhecimento sobre espécies ainda pouco exploradas em determinadas linhas de investigação.
“No Brasil há uma grande variedade de animais que não existem no Japão, e temos muito interesse em estudar seus genomas. A diversidade de biomas aqui é muito grande, e isso vai enriquecer nossos estudos”, ressaltou.
A visita representa um passo importante para a internacionalização das pesquisas desenvolvidas pela Uern e para a construção de novas oportunidades de intercâmbio de conhecimento, além de abrir caminhos para futuras publicações e projetos conjuntos.
Desde 1998, o PCCB/Uern se destaca na produção científica, na conservação da biodiversidade e na formação de pesquisadores. Atualmente, reúne mais de 100 pessoas e contribui para a ciência e a preservação da vida marinha em âmbito nacional.
