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Uern publica em livro relatório da Comissão da Memória e da Verdade

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) vivenciou mais um momento histórico na manhã desta quinta-feira, 18, com a entrega do relatório da Comissão da Memória e da Verdade da Uern. A solenidade ocorreu no auditório da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (Fafic), no campus Mossoró.

Instituída em abril de 2025, a Comissão teve como objetivo resgatar a história da instituição e investigar violações de direitos humanos, práticas de vigilância sobre estudantes e professores, além de estruturas de repressão no ambiente acadêmico durante o período da Ditadura Militar.

Durante a cerimônia, que reuniu autoridades e membros da comunidade acadêmica, o presidente da Comissão, professor Marcílio Falcão, explicou o desenvolvimento dos trabalhos e destacou a relevância do relatório final.

“A Comissão se organizou, analisou todo o material e concluiu que houve, sim, perseguição política e ideológica na Universidade durante a ditadura. Com esse relatório, a Uern reafirma que não há espaço para o extremismo. A instituição é um ambiente de liberdade e de defesa da democracia e da cidadania”, afirmou.

A reitora da Uern, Cicília Maia, reforçou o papel da universidade como espaço de memória e reflexão crítica. “Compreendemos que a universidade pública não é apenas um local de formação e produção de conhecimento, mas também de preservação da memória, reflexão crítica e compromisso permanente com os valores democráticos”, destacou.

Ela acrescentou que o relatório se torna um importante patrimônio institucional. “Esse documento ficará disponível em nossa biblioteca como registro de memórias e narrativas que ampliam o conhecimento sobre a história da Uern, contribuindo para que as atuais e futuras gerações compreendam melhor os caminhos percorridos pela instituição.”

Na ocasião, foram entregues certificados de reconhecimento pela luta em defesa da liberdade e da democracia aos professores Carlos Alberto Lima Filgueira (in memoriam) e João Batista Xavier, que tiveram papel relevante na Universidade durante o período. O procurador da República no RN, Emanoel de Melo, ressaltou a importância da reparação simbólica às vítimas de perseguição.

Kadja Filgueira, filha do professor Carlos Alberto Filgueira, fez um discurso emocionado ao lembrar a trajetória do pai. “A Uern sempre foi a vida dele, e receber essa homenagem por todo o trabalho que desempenhou é muito gratificante”, declarou.

Ane Emanuelle Xavier, filha do professor João Batista, também expressou gratidão. “Meu pai sempre acreditou na educação como ferramenta de transformação social e na coragem de defender princípios. Esta homenagem celebra não apenas uma história individual, mas a memória de todos que contribuíram para a preservação dos valores democráticos e da liberdade humana”, afirmou.

Relatório é publicado em formato de livro

O relatório final da Comissão da Memória e da Verdade da Uern está disponível gratuitamente em formato digital, com publicação da Edições Uern.

“O livro reúne as conclusões da Comissão, além de toda a documentação que fundamentou os trabalhos. Ele funciona tanto como um registro analítico quanto como fonte documental para futuras pesquisas”, explicou o diretor da Edições Uern, Fabiano Mendes.

Para acessar o material, basta visitar a página da Edições Uern no portal da Universidade.

Fotos: Rosalba Moreira

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