Quando o assunto é cuidado com a saúde, é impossível não destacar a importância da vacinação. Considerada um dos maiores avanços da medicina, ela é responsável por proteger milhões de pessoas em todo o mundo contra diversas doenças. Apesar disso, um dado ainda preocupa: na fase adulta, os índices de vacinação costumam ser baixos.
Com o objetivo de discutir a importância da imunização ao longo da vida, o Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia (PRMGO) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) realizou, na noite desta sexta-feira, 08, em Mossoró, a palestra “O impacto da vacinação nas várias fases da vida da mulher”.
Participaram do evento profissionais da saúde, representantes de instituições de ensino superior, professores, estudantes de medicina e médicos residentes. Na ocasião, também foi disponibilizado um ponto de vacinação, por meio de uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.
“Um dos pilares da saúde pública é a prevenção, porque é muito mais fácil prevenir do que tratar uma doença já avançada. Por isso trouxemos esse debate sobre o impacto das vacinas na vida da mulher. Acreditamos que, ao prevenir, proporcionamos mais qualidade de vida para as pacientes”, destacou a coordenadora do PRMGO/Uern, Dra. Isabelle Cantídio.
A convidada especial da noite foi a médica ginecologista e obstetra Dra. Bia Andrade, membro da Sociedade Brasileira de Imunologia. Ela reforçou não apenas a importância da imunização, mas também a necessidade de ampliar o alcance dessas informações junto à população.
Segundo a especialista, os índices de vacinação tendem a diminuir à medida que as mulheres envelhecem. “Na infância, a vacinação costuma ser acompanhada pelo pediatra, mas, a partir da adolescência, muitas dessas vacinas deixam de ser prescritas. Hoje, quero justamente destacar a importância de vacinar a mulher em todas as fases da vida”, explicou.
Entre as vacinas consideradas essenciais para a saúde feminina estão as que protegem contra HPV, influenza, meningite, covid-19, bronquiolite, herpes-zóster e pneumonia. Algumas delas são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto outras estão disponíveis apenas na rede privada.
Prevenção ao Câncer de colo de útero ganha destaque
No Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres. Para cada ano do triênio 2023-2025, foram estimados 17.010 novos casos, o que representa uma taxa bruta de incidência de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Diante desse cenário, o tema também ganhou destaque durante a palestra. A boa notícia é que esse tipo de câncer pode ser evitado graças à vacina contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo SUS para meninos e meninas de 9 a 14 anos. Grupos especiais, como pessoas com HIV e transplantados, também podem receber o imunizante entre 9 e 45 anos. Para quem não se enquadra nesses critérios, a vacina está disponível na rede privada.
“Existe o mito de que a vacina não teria efeito em mulheres que já iniciaram a vida sexual, mas isso não é verdade. A eficácia em adolescentes é mais alta, porém, mesmo em mulheres sexualmente ativas, ela continua sendo bastante significativa, em torno de 93%”, ressaltou Dra. Bia Andrade.
Levar informação a um número cada vez maior de pessoas é uma das formas de combater a doença, mas a adesão à vacinação também é indispensável. “Precisamos construir uma realidade diferente nos próximos anos, para que não tenhamos mais mulheres morrendo de câncer de colo do útero. E, para isso, o primeiro passo é a vacinação”, frisou Dra. Isabelle Cantídio.
A residente em Ginecologia e Obstetrícia, Fernanda Viana, avaliou a iniciativa como extremamente relevante. “É um momento de grande importância para nós, residentes e profissionais da saúde, estarmos em contato com essas informações para oferecer sempre o melhor cuidado aos nossos pacientes”, afirmou.
