Em 2022, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (Propeg), aprovou proposta junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na Chamada CNPq Nº 12/2020 – Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação MAI/DAI. A iniciativa tem fortalecido as ações de pesquisa, empreendedorismo e inovação na Instituição.
Com a aprovação do Programa MAI/DAI, a Uern intensificou parcerias com empresas da região, resultando em pesquisas aplicadas, focando no processo de transferência de tecnologia. Os projetos aprovados no programa possibilitaram que a Instituição e as empresas trabalhassem juntas em estudos, intercâmbio de conhecimentos e tecnologias, treinamento e capacitação de recursos humanos, além de outras atividades relacionadas à inovação.
Nesta proposta, foram desenvolvidos três projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), alinhados ao planejamento estratégico institucional de desenvolvimento tecnológico e inovação. As pesquisas desenvolvidas alcançaram o objetivo do Programa MAI/DAI, resultando em pedidos de proteção de propriedade intelectual, por meio de patentes.
Um dos projetos PD&I foi firmado com a empresa Potiguar E&P e desenvolveu um Método de Amaciamento na Dureza da Água Produzida de Petróleo em Único Estágio Empregando Carbonatos. A pesquisa aborda o tratamento da água produzida na cadeia produtiva do petróleo, visando seu reuso adequado.
Os pesquisadores da Uern desenvolveram um método de amaciamento na dureza da água produzida de petróleo em único estágio, simplificando o número de operações envolvidas no tratamento para fornecer uma água suficientemente tratada para reutilização. Em outras palavras, o método proporciona uma solução simples, econômica e inovadora para o tratamento de água produzida de petróleo com benefícios nas áreas ambiental e industrial.
Outra pesquisa por meio do MAI/DAI trata do desenvolvimento de um método de extração de lignina por autoclave em biomassa lignocelulósica. Em parceria com a Brasil Química e Mineração Industrial Ltda. (BQMIL), o projeto PD&I focou na valorização de resíduos de materiais lignocelulósicos, com o objetivo de transformá-los em aditivos para a indústria da construção civil.
A lignina é um componente essencial da flora terrestre, encontrada nas paredes celulares das plantas. Ela faz a liga da celulose com a hemicelulose e confere resistência e rigidez às plantas, permitindo que cresçam e suportem seu próprio peso.
A pesquisa refere-se a um método de extração de lignina de biomassas lignocelulósicas (por exemplo: podas de cajueiro, fibras de sisal e resíduos de paletes de madeira), com uma etapa inovadora de pré-tratamento da biomassa, sem aditivos químicos onerosos, para aumentar a recuperação de lignina. O pré-tratamento da biomassa torna o processo mais eficiente, sustentável economicamente, e pode ser implementado em larga escala. A iniciativa reduz os impactos ambientais causados por resíduos industriais, promovendo o uso sustentável e inovador de recursos renováveis e abundantes.
No setor salineiro, notável pela produção de sal marinho na região do Rio Grande do Norte, a Uern desenvolveu um projeto PD&I que visa aprimorar o processo produtivo do sal marinho, resultando em produtos de maior qualidade para o mercado.
De forma geral, a produção de sal marinho segue algumas etapas principais: captação da água do mar, evaporação, cristalização, colheita, lavagem, secagem e, por fim, o beneficiamento. A etapa de lavagem possui a finalidade de reduzir impurezas e, para isso, costuma-se utilizar água doce, salmoura ou até mesmo a própria água do mar.
No entanto, esse processo apresenta algumas desvantagens. Essa etapa pode causar a dissolução de parte do sal, reduzindo a quantidade do produto final. Considerando que essas impurezas afetam diretamente a qualidade do sal, pesquisadores da Uern propuseram o uso de zeólitas para capturar cálcio e magnésio. Com isso, busca-se melhorar a qualidade do produto final e contribuir para o fortalecimento da indústria salineira local.
Agora, as pesquisas estão na etapa de transferência de tecnologia com as empresas para alcançar projetos de escalonamento na indústria e aplicabilidade em ambiente real.
Todos os projetos PD&I em andamento contaram com a participação da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais (FANAT), do Programa de Pós-graduação em Ciências Naturais (PPGCN), do Departamento de Química (DQ), do Laboratório de Catálise, Ambiente e Materiais (LACAM) e do Centro de Síntese e Análise de Materiais Avançados (CSAMA). Estão envolvidos nos projetos os pesquisadores Dr. Vinícius Caldeira, Dra. Anne Gabriella Dias e Dr. João Maria Soares, juntamente com estudantes de graduação e pós-graduação, fortalecendo a colaboração entre a academia e o setor empresarial.
Vale ressaltar que todos os recursos das referidas pesquisas foram oriundos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC/CNPq), por meio da Chamada CNPq Nº 12/2020 – Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação MAI/DAI.
A diretora da Agência Uern Inova, Priscilla Felipe, destaca que o desenvolvimento de pesquisas da Uern em parceria com empresas através do projeto MAI/DAI e as invenções resultantes dela são de suma importância para a sociedade. “É Uern contribuindo ainda mais para o desenvolvimento tecnológico e econômico do Rio Grande do Norte”, finaliza.