Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), que utiliza a robótica para facilitar a comunicação e a aprendizagem de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), recebeu o prêmio de Artigo Destaque no XXXVII Simpósio Brasileiro de Informática na Educação (SBIE). O evento integrou o 15º Congresso Brasileiro de Informática na Educação (CBIE 2026), realizado de 5 a 9 de outubro, em Goiânia (GO).
O trabalho, de autoria dos pesquisadores Luiziane Paulino dos Santos e Raul Benites Paradeda, foi premiado na Trilha de Ideias Inovadoras e Resultados Emergentes (TIIRE) e apresenta uma proposta de utilização do robô social NAO como ferramenta de apoio às práticas pedagógicas voltadas à inclusão de estudantes com dificuldades de comunicação.
A pesquisa busca integrar a robótica aos recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), já utilizados nas escolas para auxiliar pessoas com dificuldades na comunicação oral. Entre esses recursos estão pranchas com imagens e símbolos, aplicativos e painéis digitais que permitem aos estudantes expressar necessidades, sentimentos e ideias.
A proposta não pretende substituir as ferramentas já utilizadas pelos alunos, mas ampliar suas possibilidades de interação e aprendizagem, com a participação dos professores no planejamento e na condução das atividades.
Para avaliar a aplicação da tecnologia, os pesquisadores realizaram dez sessões com três crianças com TEA, em uma sala de recursos multifuncionais de uma escola privada. As atividades foram planejadas em conjunto com os professores e adaptadas às características, aos interesses e às formas de comunicação de cada estudante.
Os primeiros resultados apontaram maior aceitação dos recursos de comunicação e avanços na autonomia dos participantes. Um dos casos observados foi o de um estudante que conseguiu utilizar sua prancha de comunicação de forma autônoma durante uma apresentação na Feira de Ciências da escola, sem a presença do robô.
O resultado chamou a atenção dos pesquisadores por demonstrar que as habilidades desenvolvidas durante as atividades com a tecnologia também podem ser utilizadas em outras situações do cotidiano escolar.
O estudo destaca que a contribuição da robótica para a inclusão educacional não depende apenas da disponibilidade de equipamentos tecnológicos, mas também da participação dos professores, da adaptação das atividades às necessidades individuais dos estudantes e da integração desses recursos às práticas pedagógicas.
Os autores ressaltam que os resultados ainda são preliminares, considerando o número reduzido de participantes e o período de observação. O custo dos equipamentos e a necessidade de capacitação dos professores também são apontados como desafios para ampliar a utilização da tecnologia nas escolas.
O reconhecimento nacional da pesquisa evidencia a contribuição da produção científica desenvolvida na Uern para a busca de soluções que associam inovação tecnológica, educação e inclusão.
