Texto: Adriana Morais
A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) conquistou mais uma patente de invenção pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão responsável por gerir o sistema brasileiro de concessão de patentes. Esta é a 11ª patente da instituição.
A inovação trata-se do “Método de amaciamento na dureza da água produzida de petróleo em único estágio empregando carbonatos”. A pesquisa foi feita pelos pesquisadores Vinícius Patrício Caldeira, Ana Laura Fernandes, Weslen Ismael de Miranda e Anne Gabriella Dias, do Departamento de Química.
No setor petrolífero, a chamada água dura é caracterizada por altos teores de minerais como cálcio e magnésio e causa incrustações em equipamentos e tubulações, reduzindo a eficiência e a vida útil dos equipamentos. Ela também acelera a corrosão, aumenta os custos de manutenção, e pode comprometer a integridade e a segurança das operações.
Para mitigar estes problemas, é essencial tratar a água antes da injeção em poços. Em termos científicos, é necessário desenvolver processos para o amaciamento da dureza da água.
Os pesquisadores desenvolveram um método de amaciamento na dureza da água produzida de petróleo em único estágio empregando carbonato de sódio ou potássio.
O método simplifica o número de operações unitárias envolvidas no tratamento da água produzida de petróleo para fornecer uma água suficientemente tratada para reutilização, seja como água de retorno ou outra finalidade. O processo traz inovação na geração de um sólido residual formado de composição química conhecida, e benefício econômico em sua valoração como insumo para indústria química.
Em outras palavras, o método proporciona uma solução simples, econômica e inovadora para o tratamento de água produzida de petróleo com benefícios nas áreas ambiental e industrial.
Conforme o professor Vinícius Caldeira, normalmente o amaciamento de águas duras por meio da precipitação química ocorre em duas ou mais etapas acompanhadas pela combinação de dois ou mais agentes químicos e/ou equipamentos industriais para melhoria do processo. Contudo, essa estratégia apresenta desvantagens econômicas e ambientais devido ao uso dispendioso de reagentes químicos e equipamentos, levando a formação de grandes quantidades de sólido residual heterogêneo sem destinação apropriada.
“O processo foi capaz de superar esse obstáculo utilizando exclusivamente a solução de carbonato (sódio ou potássio), sendo possível obter em uma única etapa, um efluente suficientemente tratado e um sólido residual com características bem definidas, podendo ser utilizado como insumo para outros processos industriais”, informa o pesquisador.
Vinícius Caldeira destaca que a patente tem um impacto bastante significativo. “A utilização de carbonato como único agente químico facilita a implementação em larga escala sem causar grandes impactos ambientais, pois, o processo gera menos produtos nocivos quando comparado aos métodos convencionais. Logo, a invenção oferece uma solução prática, econômica e ambientalmente vantajosa para o tratamento de águas contaminadas da indústria do petróleo”, frisa o pesquisador.
A partir das vantagens deste método garante-se uma água tratada de qualidade e adequada para os diversos processos industriais subsequentes.
O projeto possui financiamento de bolsas de estudo pelo Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação – MAI/DAI (CNPq N 12/2020), e recursos de custeio em colaboração científica e tecnológica com a empresa PetroReconcavo.
Para Vinícius Caldeira, obter uma carta-patente de invenção para o desenvolvimento de um processo tecnológico vinculado a uma problemática de uma empresa revela o grande potencial da Uern para formalizar colaborações que promovam o desenvolvimento científico e tecnológico da região, com forte caráter inovador.
“A patente concedida é o reflexo da marcante competência dos pesquisadores da Uern, aliada à significativa capacidade de formação de recursos humanos de alta qualidade. Destaca-se também que o processo tecnológico inovador concebido surgiu a partir de uma colaboração ICT-Empresa, com incentivo do Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação do Cnpq (MAI/DAI UERN)”, frisa o pesquisador.