A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) realizou, na noite desta quarta-feira, 5, a Aula Magna de abertura do semestre letivo 2026.2. Transmitido pelo canal oficial da Instituição no YouTube, o evento integrou a programação do ReConecta e teve como tema “O futuro da universidade pública brasileira: inovação, qualidade e compromisso social”.
A conferência foi ministrada pelo professor Luiz Fernandes Dourado, titular emérito da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG) e presidente da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae). A programação reuniu representantes da administração, dos segmentos acadêmicos e das entidades estudantis da Uern.
Na abertura, a reitora Cicília Maia deu as boas-vindas aos estudantes ingressantes e veteranos e destacou o compromisso da Uern com uma educação pública, gratuita, inclusiva e socialmente referenciada. Segundo ela, a Aula Magna representa uma oportunidade para refletir sobre o papel das universidades diante das transformações contemporâneas.
A reitora afirmou que a universidade precisa acompanhar as inovações tecnológicas, mas garantindo que elas estejam a serviço da ética, da inclusão, da democracia e do desenvolvimento humano. Também ressaltou que a educação superior pública permanece como um dos principais instrumentos de transformação social, redução das desigualdades e fortalecimento da democracia.
Cicília Maia lembrou a participação do professor Luiz Dourado na articulação e nas discussões do Plano Nacional de Educação e agradeceu a contribuição do pesquisador à defesa da educação pública brasileira. Ela também ressaltou o trabalho coletivo dos diferentes setores da Uern para a realização do evento e para o início do novo período letivo.
A reitora chamou atenção, ainda, para duas datas comemorativas da Universidade em 2026: os 58 anos da Uern e os 50 anos do Campus Avançado de Pau dos Ferros. “A Uern pertence aos estudantes, docentes, técnicos, colaboradores e, sobretudo, à sociedade do Rio Grande do Norte”, enfatizou.
Representação estudantil
Representando o movimento estudantil, o coordenador-geral do Diretório Central dos e das Estudantes (DCE), João Vitor de Almeida Lima, destacou que discutir o futuro da universidade não significa apenas abordar a criação de novos laboratórios ou a adoção de tecnologias, mas assegurar que a Instituição continue promovendo a transformação social e ampliando o acesso ao ensino superior.
“A Uern é a prova de que a universidade pública, gratuita, de qualidade, inclusiva e popular muda realidades”, declarou. Para João Vitor, cada estudante que ingressa na Universidade leva consigo não apenas um sonho individual, mas o projeto de toda uma família.
O representante estudantil também defendeu a autonomia universitária, o financiamento público e o fortalecimento das políticas de permanência. Segundo ele, garantir o ingresso não é suficiente: é necessário oferecer condições para que os estudantes permaneçam nos cursos e possam construir seus projetos de vida.
João Vitor convidou os novos alunos a participarem das atividades de acolhimento e das ações promovidas pelo DCE nos diferentes campi. Ele citou, entre as conquistas e reivindicações do movimento estudantil, a implementação de novas bolsas, o fortalecimento das políticas de permanência e a defesa das cotas para pessoas trans.
Inovação vinculada à ampliação de direitos
A coordenadora do Fórum dos Chefes de Departamentos da Uern, professora Suamy Soares, afirmou que as palavras “inovação, qualidade e compromisso social” sintetizam alguns dos principais desafios enfrentados diariamente pelas universidades.
Ela ponderou que pensar o futuro da educação superior não se limita à adoção de novas tecnologias ou metodologias de ensino. “Significa perguntar qual é a universidade que queremos construir, para quem queremos produzir conhecimento e qual é o papel da universidade pública diante das profundas desigualdades que marcam a sociedade brasileira”, destacou.
Suamy Soares defendeu que a inovação esteja vinculada à ampliação de direitos, ao fortalecimento da ciência e ao enfrentamento das desigualdades. Também ressaltou a atuação da Uern no ensino, na pesquisa, na extensão e nos serviços prestados à população potiguar.
Ao dirigir-se aos novos docentes e estudantes, a professora destacou valores como excelência acadêmica, gestão democrática, liberdade de cátedra, diversidade de ideias e compromisso ético com a educação pública. Aos alunos, deixou o convite para que ocupem plenamente os espaços da Instituição, participando das aulas, grupos de pesquisa, projetos de extensão, atividades culturais, espaços de convivência e movimentos de representação.
Permanência estudantil
A pró-reitora de Assuntos Estudantis, Ana Angélica do Nascimento Nogueira, deu as boas-vindas aos estudantes e ressaltou o compromisso da Uern com as políticas de permanência. Em sua fala, convidou os ingressantes a conhecerem e participarem da vida universitária para além das atividades realizadas em sala de aula.
Ana Angélica destacou que a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) iniciou o semestre com edital aberto, disponibilizando mais de 500 vagas em auxílios estudantis. Para ela, a ampliação dessas políticas é essencial para fortalecer as condições de permanência dos alunos na Universidade.
A pró-reitora também mencionou a realização dos Jogos Universitários e observou que a permanência estudantil envolve diferentes dimensões, como cuidado com a saúde, qualidade de vida, convivência e participação na comunidade acadêmica.
“A garantia de permanência perpassa tudo isso transversalmente, e essa também é a nossa defesa”, afirmou. Ao final, desejou um excelente semestre à comunidade acadêmica e incentivou os estudantes a viverem plenamente a experiência universitária.
Compromisso com a educação pública
Responsável pela mediação da Aula Magna, a professora Maria de Edgleuma de Andrade destacou que o evento marcou simbolicamente o começo de um novo ciclo de formação, reflexão e compromisso com a universidade pública e com a educação brasileira.
Ao apresentar o conferencista, Maria de Gleuma ressaltou a trajetória acadêmica, institucional e pública de Luiz Fernandes Dourado. Professor titular emérito da UFG, ele possui pós-doutorado na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris, doutorado e mestrado em Educação, além de graduação em Ciências Sociais.
A mediadora também destacou a atuação do professor na Anpae, no Fórum Nacional de Educação, no Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e em outros espaços dedicados à formulação e ao acompanhamento das políticas educacionais brasileiras.
“Ter o professor Luiz Dourado conosco nesta aula representa uma oportunidade singular de refletirmos sobre os desafios e as possibilidades que se colocam para a universidade pública brasileira em um contexto de profundas transformações sociais, científicas, tecnológicas e políticas”, afirmou Maria de Edgleuma.
Universidade como política de Estado
Ao iniciar a conferência, Luiz Fernandes Dourado ressaltou a importância do tema escolhido pela Uern e relacionou a discussão sobre inovação, qualidade e compromisso social aos desafios da gestão da educação superior e às perspectivas para o futuro da universidade pública brasileira.
O professor destacou a autonomia universitária como princípio fundamental, nos termos do artigo 207 da Constituição Federal, que assegura às universidades autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, além da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Para o conferencista, discutir inovação, qualidade e compromisso social exige definir para quem se destinam essas políticas, em qual contexto são formuladas e como se articulam com os princípios constitucionais e com as atribuições da universidade.
Luiz Dourado defendeu que o planejamento educacional seja compreendido como política de Estado, voltada à garantia da educação como direito humano, à promoção da justiça social e ao desenvolvimento socioambiental sustentável. Ele também ressaltou a importância da articulação entre o Plano Nacional de Educação, o Sistema Nacional de Educação e os planos estaduais e municipais.
O professor observou que não basta garantir formalmente o direito à educação. É necessário assegurar uma educação com qualidade social, acesso, permanência e conclusão em todos os níveis e modalidades, articulada aos direitos humanos, à equidade, à inclusão e à diversidade.
Ao abordar a valorização dos profissionais da educação, Luiz Dourado destacou a necessidade de integrar formação inicial, formação continuada, carreira, salários e condições adequadas de trabalho. Também defendeu o financiamento público da educação pública, com controle social e recursos suficientes para o funcionamento das instituições e para a democratização do acesso e da permanência.
Para o conferencista, a educação deve estar comprometida com a justiça social, a emancipação, a proteção da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável e o enfrentamento das desigualdades e da pobreza. Esses elementos, segundo ele, precisam orientar qualquer reflexão sobre o futuro da universidade pública brasileira.
A Aula Magna contou com tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), realizada por intérpretes da Diretoria de Políticas e Ações Inclusivas (Dain), e emissão de certificado para os participantes.
