A taxa de analfabetismo no Rio Grande do Norte atingiu, em 2025, o menor patamar da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice caiu para 9,3%, abaixo dos 10,5% registrados em 2024 e dos 13,9% observados em 2016, consolidando uma trajetória de redução ao longo da última década.
Para a professora e pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (FE/Uern), Maíra Emelly, o resultado representa um marco importante na história da educação potiguar.
“Isso significa a superação de uma marca que, durante décadas, simbolizou profundas desigualdades sociais e educacionais no estado. Esse dado precisa ser celebrado com muita responsabilidade. É uma conquista relevante, mas que ainda exige continuidade, fortalecimento e criação de novas políticas educacionais voltadas à eliminação do analfabetismo no RN”, afirmou.
Outros indicadores educacionais também chamam atenção. A frequência escolar entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos chegou a 99,3%, enquanto 96,3% dos estudantes dessa faixa etária estavam matriculados no ensino fundamental na etapa adequada à idade, percentual acima da meta de 95% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE).
Segundo Maíra Emelly, esse desempenho é resultado de políticas públicas voltadas à alfabetização e à permanência dos estudantes na escola. Entre elas, destaca-se a Política Territorial de Alfabetização de Crianças (Pró-Alfa RN), além do fortalecimento da Educação de Jovens e Adultos (EJA), da atuação do programa Brasil Alfabetizado e das ações desenvolvidas em parceria entre Estado, municípios e Governo Federal.
“No nosso estado, há uma política voltada à superação do analfabetismo, com iniciativas articuladas entre diferentes esferas de governo. Soma-se a isso o compromisso das instituições públicas de ensino superior, como a Uern, que atua na formação de professores e desenvolve pesquisas, projetos de extensão e programas voltados à alfabetização e ao letramento”, destacou.
Apesar dos avanços, o índice de analfabetismo no Rio Grande do Norte ainda supera a média nacional, que em 2025 foi de 4,9% entre pessoas com 15 anos ou mais. Para a pesquisadora, essa diferença está ligada a fatores históricos, sociais e econômicos.
“Infelizmente, o Rio Grande do Norte, assim como outros estados do Nordeste, convive com desigualdades estruturais que impactam diretamente o acesso à escolarização, especialmente nas áreas rurais e entre grupos socialmente vulneráveis”, explicou.
Educação de pessoas idosas ainda é desafio
Os dados da Pnad Contínua mostram que o analfabetismo permanece mais concentrado entre a população idosa. Em 2025, o IBGE estimou que cerca de 265 mil pessoas eram analfabetas no estado, sendo que quase metade desse total tinha 60 anos ou mais.
Para Maíra Emelly, esse cenário reforça a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à alfabetização de pessoas idosas.
“É preciso criar e fortalecer políticas específicas para esse público, garantindo a alfabetização como um direito humano que não tem limite etário. As pessoas idosas precisam exercer plenamente seus direitos com autonomia e dignidade. Não se trata apenas de saber ler e escrever”, ressaltou.
Nesse contexto, a Uern tem ampliado suas ações voltadas à educação da população idosa, por meio de iniciativas como o programa de extensão Uern 60+ e, mais recentemente, com a criação do Processo Seletivo PSP 60+, destinado ao ingresso de pessoas idosas em cursos de graduação.
Segundo a pesquisadora, a universidade desempenha um papel estratégico na melhoria dos indicadores educacionais do estado.
“A Uern contribui diretamente para a formação de professores e para a produção de conhecimento. Por meio dos cursos de licenciatura, da pós-graduação, das pesquisas e das ações de extensão, fortalece as práticas pedagógicas desenvolvidas nas redes de ensino. Além disso, a participação de professores da instituição em comitês, conselhos e instâncias estratégicas aproxima a universidade dos sistemas educacionais e se traduz em ações concretas para a melhoria desses indicadores”, concluiu.
