Um momento de reencontro com a história do jornalismo mossoroense e de lembrança de um tempo que o jornal impresso pautava o debate público em Mossoró.
Assim foi a segunda edição do Cinejor, organizado pelo Centro Acadêmico de Jornalismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Cajor/Uern) que apresentou o documentário “Sem Meias Palavras nem Meias Verdades”, dirigido pela jornalista Monalisa Cardoso que contou a história da Gazeta do Oeste.
O jornal fez história no Rio Grande do Norte sob a direção do ex-presidente da então Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte (Furrn), antiga nomenclatura da Uern, Canindé Queiroz.
“A importância da Gazeta como um veículo de comunicação de Mossoró e do estado do Rio Grande do Norte — essa é a importância. O que nós queremos com esse material? Nós queremos deixar para a posteridade, para os alunos, alguma coisa, um material apurado com personagens que são ex-funcionários do jornal contando o que foi a história da Gazeta do Oeste. Como ela foi fundada, alguns fatos que se passaram nesses 38 anos e também como ela chegou ao fim”, afirmou Monalisa Cardoso.
“Essa história é contada pelos próprios ex-funcionários. Nós vamos ter uma pequena participação de Canindé com imagens cedidas pela TCM. Ele aparece, a gente vai ouvir a voz de Canindé… E a história é essa: é deixar o legado da Gazeta do Oeste”, complementa.
Uma das organizadoras do evento, a estudante de jornalismo do oitavo período Joyce Neri explicou a natureza do Cinejor. “Então, nós do centro acadêmico, a gente se une para fazer esse evento. Quando a gente começa a ver a divulgação e entende que inicialmente ia ser uma distribuição online, a gente entende a importância do jornal Gazeta do Oeste, assim como de todos os impressos de Mossoró, e se junta a eles para fazer um evento celebrativo, que é isso que está acontecendo nessa noite”, explicou.
“O jornal Gazeta do Oeste, ele tem uma importante história para contar, também essa história da cidade de Mossoró, assim como os outros impressos. Então é basicamente isso, a gente se une nesse sentido”, complementou.
Representando a reitora Cicilia Maia no evento, o jornalista ex-Gazeta e servidor da Agência de Comunicação da Uern, Bruno Soares, destacou a importância do veículo de comunicação para jornalismo mossoroense. “É, eu tenho certeza que um produto feito por estudantes da universidade, por Monalisa Cardoso e sua equipe, tenho certeza que é um material de qualidade, tendo em vista o histórico que é conhecido o curso por fazer bons produtos, ter bons profissionais. E pra minha satisfação, enquanto servidor da UERN, formado na UERN, tive minha primeira escola, digamos assim, a Gazeta do Oeste”, disse.
“Antes mesmo de concluir o curso, eu comecei a estagiar lá e foi lá que eu aprendi muita coisa no jornalismo, na prática. Conheci muitas pessoas que até hoje trago comigo no coração, na amizade. E hoje na UERN, mais uma vez botando em prática tudo que aprendi tanto na faculdade como na escola que foi a Gazeta do Oeste”, acrescentou.
A diretora de comunicação da Uern e ex-editora chefe da Gazeta Iuska Freire lembrou que o jornal marcou época no jornalismo mossoroense.
“A Gazeta ela fez história, né, aqui no jornalismo mossoroense. Você sabe, né, também estava lá no Mossoroense, e a Gazeta durante muito tempo pautou o jornalismo aqui da cidade. Tinha algumas polêmicas, era um jornal polêmico, mas também bem aguerrido. Serviu de muita escola, assim, pelo menos para mim foi essa a experiência, foi minha escola na prática. Me ensinou que o jornalismo se faz na rua, o que é apuração numa época que a gente não tinha redes sociais, não tinha internet. Então a gente tinha essa relação de fidelizar muito as fontes, de ir atrás da notícia, de ter aquela emoção de você não saber como é que vai ser o seu dia”, lembrou.
Funcionário da Gazeta em praticamente toda a sua história, Manoel Galdino lembrou de sua trajetória na Gazeta. “É, eu posso dizer que cheguei lá quase no início mesmo, porque eu cheguei lá, estava na edição 75, 76, não lembro bem, foi por aí. Então, ela foi fundada em 77 e eu cheguei lá final de 81. O jornal era semanário nessa época, então não saía edição diária. E minha trajetória foi ali dentro, vendo desde os primórdios, vendo a evolução, como era tudo muito arcaico, manual, tudo feito na na base da força mesmo, linotipo… Até com linotipo eu cheguei a ver lá, não trabalhei, mas cheguei a ver operando e tudo. E depois veio a evolução, né, até chegar o computador. Quando chegou o computador, aí foi mudando tudo. E quando veio a internet, aí então foi mudando tudo, e quem não se adaptou ficou para trás na história, né? Quem não partiu para a era digital mesmo, fechou”, relatou.
