A experiência exitosa da autonomia universitária da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) foi apresentada na manhã desta quarta-feira (29) durante o Fórum Autonomia Universitária, realizado pela Universidade de Pernambuco (UPE), em Recife. A Uern foi representada pela reitora Cicília Maia, que também preside a Associação Brasileira de Reitoras e Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem). O evento reuniu gestores e especialistas para debater experiências e perspectivas sobre a autonomia no ensino superior público.
Também participaram do Fórum o professor Antonio Guedes Rangel Junior, ex-reitor da Universidade Estadual da Paraíba e ex-presidente da Abruem, além da professora Maria do Carmo Martins Sobral, da Universidade Federal de Pernambuco, coordenadora do Ciclo de Seminários Nacionais sobre Autonomia Universitária realizado em 2025.

Em sua fala, a reitora Cicília Maia situou o debate no contexto atual da educação brasileira, destacando avanços recentes no campo das políticas públicas, como a sanção do novo Plano Nacional de Educação (PNE) e a consolidação do Sistema Nacional de Educação (SNE). Para a reitora, esses marcos reforçam a necessidade de fortalecer estruturalmente as instituições públicas de ensino superior. Ao apresentar a trajetória da Uern, a reitora resgatou o processo de construção da autonomia financeira da universidade, destacando que a conquista foi resultado de articulação institucional e do apoio da sociedade potiguar, além do diálogo com os poderes Executivo e Legislativo estaduais.
Cicília Maia enfatizou que a autonomia não deve ser compreendida apenas como um princípio formal, mas como uma condição concreta para o funcionamento das universidades públicas. “O que nós precisamos é de financiamento para que possamos fazer ainda mais do que já realizamos com qualidade no ensino, na pesquisa e na extensão. Este é um momento importante para avaliar o que está funcionando e o que precisa ser aprimorado”, afirmou.
A reitora também destacou que a experiência da Uern foi construída a partir do aprendizado com outras instituições, como a UEPB, o que permitiu a incorporação de mecanismos legais que garantem maior segurança na execução da autonomia financeira. Outro ponto ressaltado foi a importância da transparência na gestão dos recursos públicos. Segundo Cicília Maia, é fundamental que a sociedade compreenda como os investimentos são realizados e quais resultados são entregues pelas universidades.
Ela finalizou afirmando que a UPE precisa construir o seu próprio caminho, a partir da análise das experiências de instituições que já conquistaram sua autonomia universitária, como a Uern e a UEPB, e colocou a Abruem à disposição para auxiliar neste processo.
A reitora da UPE, Socorro Cavalcanti, destacou a relevância do Fórum como espaço estratégico para o fortalecimento das universidades públicas. Segundo a reitora, discutir autonomia universitária é discutir a capacidade das instituições de planejarem seu futuro com responsabilidade e compromisso social. “Este Fórum nos permite compartilhar experiências e construir caminhos mais sólidos para o desenvolvimento institucional. A UPE se integrou neste momento nacional. Já existe uma proposta de autonomia na Universidade, fruto de discussões feitas já há bastante tempo, mas infelizmente ainda não conseguimos concretizar. A autonomia não se faz sozinho, olhando para dentro de si e esquecendo que a socidade e o estado é importante. Sem a união entre a universidade, o Estado e a sociedade, não conseguiremos chegar a um projeto de autonomia robusto.”, avalia a reitora.
O Fórum Autonomia Universitária se consolidou como um espaço de diálogo e troca de experiências entre instituições, contribuindo para o fortalecimento da gestão universitária e para o avanço de modelos que assegurem maior autonomia, responsabilidade e sustentabilidade às universidades públicas. No encerramento, o vice-reitor José Roberto de Souza Cavalcanti reforçou a importância de ampliar o debate e consolidar a autonomia universitária como política estruturante no país. “Por tudo que foi dito, ficou claro que a autonomia é uma ferramenta de gestão, e necessária. A gente vem acompanhando esse movimento e agora estamos conversando para a nossa comunidade, para que todos entendam o que é a autonomia, com as vantagens e responsabilidade”, analisou o vice-reitor.
O Fórum pode ser acompanhado no Canal do Youtube da UPE

Fotos: Luziária Machado
