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Uern recebe secretário nacional de Promoção da Igualdade Racial para fortalecer parcerias e discutir preservação da memória

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) recebeu, nesta quinta-feira (05), a visita do secretário de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Senapir), do Ministério da Igualdade Racial, Clédisson Geraldo dos Santos Júnior. O encontro teve como objetivo estreitar as relações institucionais entre o Governo Federal, a Universidade e o município de Mossoró, além de discutir o acompanhamento e o apoio a iniciativas voltadas à promoção da igualdade racial.

Participaram da reunião a reitora da Uern, Cicília Maia; a coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), Eliane Anselmo; a coordenadora do projeto “Procurando Rafael”, Aryana Costa; o pró-reitor de Extensão, Esdras Marchezan; a pró-reitora de Ensino de Graduação, Fernanda Abreu; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Ellany Gurgel; a subchefe de Gabinete, Anairam de Medeiros; as vereadoras Marleide Cunha e Plúvia Oliveira; além de representantes do movimento negro de Mossoró.

Durante a reunião, também foi apresentado ao secretário o projeto de criação de um Centro de Preservação da Memória na Uern, iniciativa que busca fortalecer a valorização histórica e cultural de narrativas ligadas à população negra e às lutas por igualdade racial.

A reitora Cicília Maia destacou que o debate sobre igualdade racial vem ganhando cada vez mais espaço na Universidade. Ela lembrou a trajetória da professora Ivonete Soares, da Faculdade de Serviço Social (Fasso), reconhecida como pioneira do movimento negro em Mossoró.

“Essa pauta está cada vez mais presente na Universidade. E não podemos deixar de citar a professora Ivonete Soares, que ocupou cargos de gestão e falava dessa pauta numa época em que as pessoas não queriam ouvir”, afirmou.

A reitora também destacou iniciativas institucionais voltadas à diversidade e à inclusão, como a atuação do Neab e da Diretoria de Ações Afirmativas e Diversidade, além da inclusão do culto aos orixás no calendário universitário.

“O que queremos é isto: uma universidade construída de povo e para o povo. Nos nossos 57 anos de história, trabalhamos para possibilitar o acesso ao ensino superior no interior do estado. Temos orgulho de dizer que democratizamos não só a graduação, mas também a pós-graduação, atualmente com 25 cursos de mestrado e quatro de doutorado”, ressaltou.

O secretário Clédisson Geraldo dos Santos Júnior destacou a importância da interiorização das políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial. Ele relembrou sua trajetória no movimento estudantil e a defesa histórica da ampliação do acesso à universidade pública.

“Eu comecei no movimento estudantil. Na época, nós já defendíamos a interiorização da universidade pública, a criação de vagas e a garantia de cursos noturnos, porque isso é um ganho geracional”, afirmou.

O secretário também mencionou que apenas seis municípios do Rio Grande do Norte integram atualmente o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial — e Mossoró ainda não faz parte dessa rede. Segundo ele, ampliar essa participação é fundamental para fortalecer as políticas públicas no interior do estado.

Clédisson também manifestou admiração por projetos desenvolvidos na Uern, como o “Procurando Rafael”, que investiga e valoriza a presença e o protagonismo da população negra na história da cidade.

“A perspectiva da reparação da memória nos é cara. Temos que colocar essa pauta na agenda pública”, afirmou.

A coordenadora do Neab, professora Eliane Anselmo, apresentou o trabalho desenvolvido pelo núcleo junto às comunidades tradicionais do Rio Grande do Norte. Ela lembrou que a Uern implementou as cotas étnico-raciais em 2019, como desdobramento das cotas sociais existentes na instituição desde 2012.

“Em 2023, fizemos um mapeamento das comunidades tradicionais do estado e precisamos de recursos para atualizar esses dados”, explicou ainda.

A professora Aryana Costa, coordenadora do projeto “Procurando Rafael”, destacou a importância das políticas afirmativas para o desenvolvimento de pesquisas e para o ingresso de estudantes na Universidade. Emocionada, ela ressaltou a recepção positiva do projeto pela sociedade mossoroense.

“Muito da boa recepção da nossa pesquisa é fruto da existência dessas políticas na Universidade, através da qual os alunos que participam do projeto ingressaram na instituição. A sociedade mossoroense acolheu essa pesquisa de uma forma que eu jamais teria imaginado”, declarou.

O projeto “Procurando Rafael” investiga as narrativas históricas relacionadas ao 30 de setembro, data em que Mossoró aboliu a escravidão em 1883 — cinco anos antes da Lei Áurea —, buscando destacar o protagonismo de homens e mulheres negros nesse processo histórico.

Ao final do encontro, a reitora Cicília Maia convidou o secretário Clédisson Geraldo dos Santos Júnior para participar de uma agenda institucional da Uern no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O convite foi prontamente aceito pelo representante do Ministério da Igualdade Racial, abrindo caminho para novas parcerias institucionais em torno da preservação da memória e da valorização da história e da cultura afro-brasileira.

Fotos: Rodrigo Oliveira/Uern

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