A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) vivenciou na manhã de hoje, 27, mais um marco em sua história. Com a presença de autoridades e representantes da comunidade acadêmica, e com a apresentação cultural dos Ursos da Baixinha, foi inaugurado o Centro de Pesquisa da Pré-História João de Araújo Pereira Neto (CPPH), o primeiro do Brasil a reunir pesquisas em arqueologia e paleontologia.
O CPPH tem como finalidade principal atuar como guarda de acervos científicos, sendo oficialmente autorizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A luta pela implantação desse equipamento acontece há alguns anos, tendo a figura do professor Valdeci Santos como um dos responsáveis. Emocionado, ele relembrou sua trajetória ao deixar o emprego de bancário para seguir carreira acadêmica na Uern há 28 anos. Hoje ele vê o sonho desse Centro de Pesquisa ser realizado, e dedicou ao seu grande parceiro de jornada, o também professor da Uern, João de Araújo (in memoriam). “Gratidão imensa ao meu amigo João. Onde ele estiver, está aplaudindo essa conquista”, disse.
Familiares de João de Araújo também compareceram, e demonstraram muita alegria com a homenagem. “Hoje está sendo concretizada essa obra que será importante para todos os estudantes. É uma pena ele não estar aqui, mas seu nome será eternizado por todo trabalho que ele realizou. Ele acreditava no poder transformador da educação”, declarou D. Maria Neusa, viúva do prof. João.
Em sua fala, a reitora da Uern destacou o empenho do professor Valdeci Santos na implantação desse Centro de Pesquisa. “Precisamos aqui registrar o nome do professor Valdeci, coordenador geral desse equipamento, que tem um trabalho implicado nacionalmente e internacionalmente. Aqui com certeza será um espaço para a formação acadêmica dos nossos estudantes em nível de graduação e pós-graduação, e estamos muito felizes com essa parceria”.
O CPPH foi construído a partir de convênio formalizado em 18 de maio de 2022 entre o Iphan-RN, a Uern e a Companhia Paranaense de Energia (Copel), viabilizando a construção de sua sede própria. Com orçamento total estimado de R$ 1,2 milhão, o Centro conta com espaços de reserva técnica de arqueologia, laboratório arqueológico, laboratório de informática e pesquisa, sala de professores, sala de guarda de material paleontológico, sala de datações e outros ambientes de apoio às atividades.
Atualmente, o CPPH dispõe de 80 acervos científicos na Reserva Técnica, totalizando aproximadamente 50 mil artefatos culturais.
Autoridades destacam a importância do CPPH

Representando a presidência do Iphan, Deyvesson Gusmão destacou o papel do instituto no incentivo à cultura e à pesquisa em todo o Estado. “Temos o desafio de internalizar a pesquisa no Estado e a Uern faz muito bem isso. Então essa entrega tem uma importância muito grande para a Universidade e também para o Iphan”, afirmou.
O Superintendente do Iphan, João Gentil, disse que hoje é um dia histórico para o Rio Grande do Norte. “Isso é mais que a entrega de um equipamento, é o compromisso com a ciência e com a memória de um povo”.
Representando a Governadora do RN, o Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, Alexandre Lima, destacou a importância desse Centro de Pesquisa para fazer um resgaste histórico daquilo que foi “esquecido” ao longo do tempo. “Para isso é preciso pesquisas, e essa iniciativa é fundamental para que essa história negada e esquecida possa ser recolocada no centro, para que assim o país possa ter um projeto de desenvolvimento pleno”.
CPPH beneficiará estudantes

Com uma infraestrutura moderna e equipamentos novos e modernos, o Centro de Pesquisa da Pré-História vai contribuir para o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão.
“Será muito útil aos alunos de graduação e pós-graduação, tanto no curso de História, como no curso de Biologia, que a partir de agora vão ter também, além das atividades de ensino que já têm na graduação e pós-graduação, terão um centro onde eles poderão aprofundar suas pesquisas para elaboração de dissertação de mestrado, tese de doutorado e monografias”, comentou o prof. Valdeci Santos, Coordenador do CPPH.
João Lucas Linhares é estudante do 9° período de História e bolsista de iniciação científica na Uern. Para ele, esse Centro irá contribuir significativamente na formação dos alunos. “Eu acho que um prédio desse contribui à medida de que ele proporciona a experiência prática de lidar com o material, fazer a curadoria de materiais arqueológicos, tendo essa experiência também multidisciplinar”, declarou.
Solicitação de novo equipamento

Durante a solenidade, a reitora da Uern, Cicília Maia, entregou um ofício aos representantes do Iphan, onde solicita apoio institucional para a implantação do Centro de Preservação das Memórias dos Povos Originários e Afrodescendentes.
Esse Centro tem como perspectiva constituir-se como espaço permanente de referência para a preservação de acervos documentais, orais, imagéticos e audiovisuais, bem como para o desenvolvimento de ações em parceria com comunidades tradicionais, movimentos sociais, escolas e órgãos públicos.
A líder indígena, Lúcia Paiacu, presenciou a solenidade e discursou em defesa dos povos originários.
Fotos: Ênio Freire
