Na manhã desta quinta-feira, 12, na sala multiuso da Biblioteca, no Campus Mossoró, aconteceu uma roda de conversa com o tema “Escuta, acolhimento e ação: diálogos sobre o enfrentamento da violência contra a mulher na Uern”, através de uma parceria entre a Ouvidoria e a Diretoria de Ações Afirmativas e Diversidade (Diaad/Uern).

O evento faz parte da programação da campanha Uern por Elas, desenvolvida durante todo o mês de março, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
A reitora da Uern, Cicília Maia, afirmou que “o dia 8 de março é sinônimo de luta e resistência de nós mulheres”, e destacou algumas ações da Instituição na busca pela valorização da mulher, como a promoção da equidade de gênero nos cargos de gestão e a elaboração de um cartilha com informações acerca de rede de apoio a mulheres vítimas de violência.
A cartilha foi elaborada pelo Núcleo de Estudos sobre a Mulher – Simone de Beauvoir (NEM/Uern), em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Direitos Sociais (PPGSSDS) e com o Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (JVDFM), e está disponível AQUI.
Diante do aumento no número de casos de violência contra a mulher em todo o país, é de suma importância o debate sobre esse tema em todos os âmbitos da sociedade. “A mulher tem o direito de ser o que quiser e o direito de viver. Precisamos nos comprometer com essa luta”, ressaltou a reitora.
Debate reuniu comunidade acadêmica e Patrulha Maria da Penha para discutir prevenção e combate à violência

A roda de conversa contou com a participação das professoras Fernanda Marques (Fasso/Uern), Suamy Soares (Nem/Fasso), Lidiane Cunha (Diaad/Uern), e das técnicas Carmem Sousa (Ouvidoria) e Séphora Nogueira (Diaad/Uern), além da Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal de Mossoró (GCM).
A Subcomandante Lilian Cynthia destacou que, de acordo com os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2025 houve um aumento nos casos de feminicídio no país em relação a 2024, e por isso é crucial que haja eventos como esse para colocar em pauta o tema da violência contra a mulher.
“A importância desse evento como forma de trazer a realidade da violência contra a mulher no país e as formas de combate é muito importante, para que cada vez mais mulheres sejam salvas”, declarou.
Ela destacou que,embora não tenha sido registrado nenhum feminicídio em Mossoró no último ano, os casos de violência contra a mulher ainda estão em alta. “Por mais que exista um combate na nossa cidade com a patrulha da Guarda Municipal e a Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar, ainda assim esses números continuam aumentando, o que nos faz entender que mais mulheres estão criando coragem de denunciar, coragem de ligar, o que reforça a importância dessas campanhas educativas”, frisou.
A Patrulha Maria da Penha da GCM atua em Mossoró desde 2020, desenvolvendo um trabalho de proteção e acolhimento às mulheres. Em caso de violência contra a mulher, a Patrulha pode ser acionada pelo número 153 ou pelo WhatsApp (84) 98631-7000. Denúncias também podem ser feitas pelo 180 – Central de Atendimento à Mulher.
Ouvidoria destaca importância do protocolo para garantir escuta qualificada das mulheres na Uern
Durante o evento, a ouvidora da Uern, Carmem Sousa, falou sobre o protocolo de atendimento aos casos de violência e assédio contra as mulheres, uma importante ferramenta que existe na Instituição desde 2024, e que visa dar todo suporte necessário para as vítimas, além de garantir prioridade na tramitação desse tipo de caso.

“O protocolo, na medida de acolhimento enquanto ouvidoria, ele serve para dar a garantia de que aquele processo vai ser seguido, vai ser tramitado de uma forma urgente, garantindo que não haja revitimização da vítima, e ele pode ser acionado por todas as unidades administrativas”, informou.
Carmem destacou que essa roda de conversa permite ampliar o acesso das mulheres aos seus direitos. “Muitas vezes a violência não começa com uma agressão grande, são pequenos comportamentos que a gente precisa cada vez mais se conscientizar e entender o que é um comportamento violento, como é que eu posso me proteger e como eu posso lidar com essa situação de uma forma segura”, pontuou.
O protocolo contém um conjunto de regras e de procedimentos para o acolhimento, atendimento humanizado, escuta ativa, encaminhamento e acompanhamento das mulheres (cis e trans) em situação de violências e de assédios no âmbito da Uern.
VEJA AQUI o protocolo de atendimento aos casos de violências e de assédios contra mulheres na Uern.
Fotos: Will Vicente e Rosalba Moreira
