{"id":902,"date":"2025-06-18T10:01:12","date_gmt":"2025-06-18T13:01:12","guid":{"rendered":"https:\/\/portal.uern.br\/propeg\/uernciencia\/?p=902"},"modified":"2025-08-06T11:13:04","modified_gmt":"2025-08-06T14:13:04","slug":"pesquisa-aponta-situacao-de-vulnerabilidade-dos-indigenas-warao-em-mossoro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.uern.br\/propeg\/uernciencia\/pesquisa-aponta-situacao-de-vulnerabilidade-dos-indigenas-warao-em-mossoro\/","title":{"rendered":"Pesquisa aponta situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade dos ind\u00edgenas Warao em Mossor\u00f3"},"content":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas Warao em Mossor\u00f3 est\u00e1 sendo tema de pesquisa na \u00e1rea de direitos humanos. A iniciativa \u00e9 da estudante do curso de Direito da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), campus Mossor\u00f3, Maria Luiza. Ao cursar a disciplina de T\u00f3picos Especiais, \u201cAporofobia\u201d (discrimina\u00e7\u00e3o ao pobre), ministrada pelo professor Humberto Fernandes, ela despertou o interesse pela tem\u00e1tica dos povos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, especialmente os refugiados ind\u00edgenas da etnia Warao.<\/p>\n<p>Ao longo das aulas, foram realizadas discuss\u00f5es sobre como o Estado e a sociedade reproduzem pr\u00e1ticas de exclus\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o baseadas na classe social, g\u00eanero, ra\u00e7a\/cor e origem. \u201cDiante disso, compreendi que minha pesquisa deveria estar ancorada na perspectiva dos Direitos Humanos. No contexto local, nos chamou aten\u00e7\u00e3o a realidade vivida pelos refugiados Warao em Mossor\u00f3, um grupo que sofre m\u00faltiplas camadas de marginaliza\u00e7\u00e3o: por serem refugiados, por serem ind\u00edgenas e por estarem em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade\u201d, disse Maria Luiza.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 6 anos os Warao vieram da Venezuela para Mossor\u00f3. A situa\u00e7\u00e3o que envolve refugiados no Brasil e no mundo tem chamado a aten\u00e7\u00e3o de governos e pesquisadores, que buscam entender a complexidade das rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, pol\u00edticas e sociais desse contingente de pessoas que sai de suas p\u00e1trias em raz\u00e3o de desastres naturais e sociais.<\/p>\n<p>Maria Luiza se sensibilizou com a situa\u00e7\u00e3o vivida por esse grupo, por isso, resolveu realizar o estudo. \u201cO que me moveu para essa pesquisa sobre os ind\u00edgenas Warao foi, acima de tudo, um profundo sentimento de inconformismo e compaix\u00e3o. Inconformismo diante da persistente nega\u00e7\u00e3o da dignidade humana, mesmo com a exist\u00eancia de um amplo arcabou\u00e7o normativo que deveria proteg\u00ea-los; e compaix\u00e3o por reconhecer na dor e na luta dos Warao um apelo por justi\u00e7a, empatia e reconhecimento.\u201d<\/p>\n<p>A professora espanhola Adela Cortina, cunhou o termo \u201caporofobia\u201d para se referir ao tratamento diferente entre os estrangeiros refugiados e os estrangeiros turistas\/empreendedores, os quais costumam ser bem recebidos em outros pa\u00edses. Nesse caso, a repulsa ao estrangeiro s\u00f3 acontece se este for pobre.<\/p>\n<p>\u201cOs estudos e leituras da aluna trouxeram a ideia de aplicar a l\u00f3gica da professora Adela Cortina \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da etnia Warao refugiada em Mossor\u00f3, onde seria poss\u00edvel observar e identificar os processos sociais de viol\u00eancia aporof\u00f3bica contra essa etnia. O trabalho tamb\u00e9m conta um pouco da Hist\u00f3ria dos Warao, descrevendo sua trajet\u00f3ria no continente americano, que j\u00e1 tem mais de 7 mil anos\u201d, comentou o professor Humberto Fernandes, que est\u00e1 orientando a pesquisa.<\/p>\n<p>A perspectiva do trabalho \u00e9 que ele traga como resultado uma amplia\u00e7\u00e3o do debate p\u00fablico sobre a etnia, pautado na solidariedade e no acolhimento a esse povo, que tem sofrido viol\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o desde o processo de coloniza\u00e7\u00e3o espanhola na regi\u00e3o do delta do Rio Orinoco at\u00e9 as graves crises de econ\u00f4micas e sociais vividas pela Venezuela nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><b>Pesquisa incentiva alunos a irem a campo<\/b><\/p>\n<p data-raofz=\"16\"><span data-raofz=\"16\">A iniciativa da estudante Maria Luiza de ir a campo realizar sua pesquisa tem um impacto muito positivo, pois conduz o aluno para uma experi\u00eancia fora da universidade, na qual ele poder\u00e1 vivenciar experi\u00eancias \u00fanicas como pesquisador. \u201cA pesquisa de campo, no Direito, infelizmente \u00e9 algo raro, n\u00e3o muito usual, diferentemente do que ocorre, por exemplo, com a sociologia, o jornalismo, a geografia, etc.\u201d, comentou o professor Humberto Fernandes.<\/span><\/p>\n<p data-raofz=\"16\"><span data-raofz=\"16\">Maria Luiza destaca o quanto essa experi\u00eancia tem sido enriquecedora. \u201cA realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa de campo foi particularmente significativa e valorosa, pois possibilitou o contato direto com a realidade vivenciada por esse povo, permitindo-me compreender, com maior profundidade, suas necessidades, sentimentos e demandas.\u201d.<\/span><\/p>\n<p data-raofz=\"16\"><span data-raofz=\"16\">Atrav\u00e9s desse estudo, Maria Luiza compreendeu a real import\u00e2ncia da pesquisa acad\u00eamica. \u201cA partir dessa viv\u00eancia, compreendi que a pesquisa acad\u00eamica pode\u00a0 e deve\u00a0 cumprir um papel social, contribuindo para a elabora\u00e7\u00e3o de propostas concretas que sirvam de subs\u00eddio a pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e \u00e0 inclus\u00e3o dos refugiados ind\u00edgenas.\u201d E finaliza: \u201cSem d\u00favida, essa viv\u00eancia me qualifica n\u00e3o apenas como pesquisadora, mas tamb\u00e9m como futura profissional do Direito comprometida com a justi\u00e7a social e a defesa da dignidade humana.\u201d<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas Warao em Mossor\u00f3 est\u00e1 sendo tema de pesquisa na \u00e1rea de direitos humanos. 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