{"id":666,"date":"2024-10-08T10:19:30","date_gmt":"2024-10-08T13:19:30","guid":{"rendered":"https:\/\/portal.uern.br\/propeg\/uernciencia\/?p=666"},"modified":"2024-10-08T10:19:30","modified_gmt":"2024-10-08T13:19:30","slug":"robo-afetivo-tecnologia-capaz-de-auxiliar-no-desenvolvimento-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.uern.br\/propeg\/uernciencia\/robo-afetivo-tecnologia-capaz-de-auxiliar-no-desenvolvimento-humano\/","title":{"rendered":"Rob\u00f4 afetivo: tecnologia capaz de auxiliar no desenvolvimento humano"},"content":{"rendered":"<p>Nas telas de cinema, a complexa intera\u00e7\u00e3o entre homens e m\u00e1quinas tem sido abordada em diferentes obras, sob os mais variados aspectos. Rob\u00f4s altamente tecnol\u00f3gicos, sistemas operacionais avan\u00e7ados, intelig\u00eancia artificial s\u00e3o alguns dos temas recorrentes de enredos, desde os mais alarmantes cen\u00e1rios at\u00e9 a hist\u00f3ria de m\u00e1quinas que experimentaram as complexidades da vida humana.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de 20 anos, com o filme A.I.: Intelig\u00eancia Artificial (2001), Steven Spielberg j\u00e1 imaginava um futuro onde a intera\u00e7\u00e3o entre humanos e m\u00e1quinas transcendia as barreiras tecnol\u00f3gicas, adentrando em uma esfera mais emocional, humanizada. No longa, \u00e9 poss\u00edvel acompanhar a saga de um menino rob\u00f3tico, criado com tecnologias altamente avan\u00e7adas, em busca de se tornar uma pessoa \u201creal\u201d, a fim de recuperar o amor da sua m\u00e3e humana.<\/p>\n<p>Com uma abordagem mais rom\u00e2ntica, o filme Her (2013), de Spike Jonze, explora a rela\u00e7\u00e3o de um escritor solit\u00e1rio que se apaixona pela voz de uma assistente virtual. Baseada em Intelig\u00eancia Artificial, a entidade intuitiva e sens\u00edvel chamada Samantha \u00e9 capaz de aprender rapidamente a partir do comportamento do usu\u00e1rio e evoluir com suas pr\u00f3prias experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Muito dos aspectos tecnol\u00f3gicos de ambos enredos, at\u00e9 ent\u00e3o considerados ficcionais, hoje j\u00e1 s\u00e3o identificados na atual realidade. O uso da intelig\u00eancia artificial e de softwares que identificam emo\u00e7\u00f5es est\u00e1 cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. A tecnologia tem se mostrado uma companheira dos seres humanos, capaz de contribuir significativamente para a sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>H\u00e1 todo um campo da computa\u00e7\u00e3o que estuda e desenvolve produtos e aplica\u00e7\u00f5es capazes de detectar e\/ou influenciar sentidos, sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos humanos. E \u00e9 nessa \u00e1rea da computa\u00e7\u00e3o afetiva que pesquisadores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) Natal v\u00eam desenvolvendo estudos em busca de solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que venham a facilitar a vida das pessoas.<\/p>\n<p>Longe das produ\u00e7\u00f5es de Hollywood, a abordagem sens\u00edvel da computa\u00e7\u00e3o afetiva afasta o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico dos cen\u00e1rios de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e o aproxima do contato humano, com o desenvolvimento e integra\u00e7\u00e3o de sistemas rob\u00f3ticos ou avatares que s\u00e3o capazes de detectar, reconhecer, responder, influenciar e emular sentimentos humanos. Estudos na Uern Natal nesta \u00e1rea est\u00e3o bastante avan\u00e7ados, inclusive, o desenvolvimento do Roboldo. A proposta \u00e9 que este rob\u00f4 afetivo possa gerar in\u00fameros benef\u00edcios sociais, inclusive emocionais. O projeto visa desenvolver um algoritmo capaz de reconhecer a emo\u00e7\u00e3o de seres humanos em diferentes meios, como v\u00eddeo, \u00e1udio e at\u00e9 redes sociais.<\/p>\n<p>O projeto est\u00e1 sob a coordena\u00e7\u00e3o do Prof. Dr. Raul Benites Paradeda e o apoio do Prof. Dr. Anderson Abner de Santana Souza, atual coordenador do Laborat\u00f3rio de Aprendizagem Rob\u00f3tica (LAR), do curso de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o \u2013 Uern Natal. Refer\u00eancia no tema computa\u00e7\u00e3o afetiva no Brasil, o professor Raul Benites Paradeda teve o contato com a tecnologia dos rob\u00f4s afetivos na Europa, quando fez o seu doutorado. Apaixonado, trouxe a proposta de tema de pesquisa para o pa\u00eds. \u201cNo Brasil, esse conceito de computa\u00e7\u00e3o afetiva \u00e9 muito embrion\u00e1rio. Sou um dos primeiros pesquisadores da \u00e1rea, inclusive, fui convidado pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) para colaborar em um p\u00f3s-doutorado a dist\u00e2ncia sobre o tema\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Desde que voltou do doutorado, h\u00e1 uns quatro anos, decidiu se dedicar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um rob\u00f4 afetivo, com baixo custo. \u201cH\u00e1 muitos rob\u00f4s afetivos no exterior, mas os custos s\u00e3o alt\u00edssimos, chegando a custar R$ 200 mil reais. A nossa proposta era criar um rob\u00f4 afetivo, com um custo reduzido, que possa ser utilizado nas escolas, auxiliando no processo educacional\u201d, comenta.<\/p>\n<p>E foi atrav\u00e9s dessas pesquisas que nasceu o Roboldo, o primeiro rob\u00f4 afetivo do pa\u00eds, produzido com baixo custo. \u201cO rob\u00f4 afetivo \u00e9 resultado de trabalho de TCC de alunos e grupos de pesquisas\u201d, informa o professor. Sua estrutura \u00e9 feita com o sistema computacional, cano PVC e \u00e9 revestido com feltro, cujo material foi produzido por uma artes\u00e3 local.<\/p>\n<p>\u201cO desafio \u00e9 fazer o Roboldo ser social, expressar sentimentos. As pesquisas que estamos desenvolvendo t\u00eam o intuito de fazer ele ser social, expressar sentimentos\u201d, explica Raul Paradeda.<\/p>\n<p>O primeiro passo para criar uma m\u00e1quina afetiva \u00e9 utilizar softwares e hardwares com sensores que permitam reconhecer emo\u00e7\u00f5es. Para tanto, os algoritmos devem ser capazes de reconhecer padr\u00f5es e sinais da atividade facial, postura, gesto, tens\u00e3o das m\u00e3os, atividade vocal, textual e eletrod\u00e9rmica (EDA). Dessa forma, o sistema \u00e9 capaz de reconhecer emo\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, como: raiva, nojo, medo, felicidade, tristeza e surpresa.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esta etapa, foram feitas as fases de teste. Os estudos foram feitos durante o GO RN do ano passado, considerado o maior evento de inova\u00e7\u00e3o e neg\u00f3cios do Rio Grande do Norte, que foi realizado em Natal.<\/p>\n<p>\u201cDurante o evento, colocamos o Roboldo para interagir com pessoas e observamos o comportamento dele e das pessoas. Colocamos cen\u00e1rios onde o Roboldo culpava as pessoas pelos erros dele no jogo da mem\u00f3ria e no outro cen\u00e1rio ele culpava o programador dele. E podemos observar o que acontece com um ser humano quando ele est\u00e1 sendo culpado por um rob\u00f4, ou o que acontece quando o rob\u00f4 culpa seu desenvolvedor. N\u00f3s observamos esse comportamento e escrevemos um artigo sobre isso\u201d, revela Paradeda.<\/p>\n<p>As pr\u00f3ximas fases do Roboldo \u00e9 fazer ele mexer os bra\u00e7os e colocar a intelig\u00eancia artificial do Chat GPT para ele possa falar de forma aut\u00f4noma.<\/p>\n<p>Raul Paradeda informa que o Roboldo possui uma c\u00e2mera para perceber as express\u00f5es das pessoas e reagir de acordo com as emo\u00e7\u00f5es. \u201cQuando a gente conseguir fazer ele falar e ouvir, vai deixar ele mais interativo. Ent\u00e3o, a partir desse momento vamos inclu\u00ed-lo nas escolas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Conforme o pesquisador, h\u00e1 diversos estudos que avaliam a efic\u00e1cia do uso de rob\u00f4s afetivos no tratamento de doen\u00e7as mentais e no acompanhamento de pessoas com defici\u00eancias. \u201cNo Jap\u00e3o, h\u00e1 um estudo que demonstra que os rob\u00f4s afetivos auxiliam no tratamento de doen\u00e7as mentais, como depress\u00e3o. Pessoas em estado depressivo, em companhia de rob\u00f4s, que respondem ao carinho e as emo\u00e7\u00f5es humanas, tiveram melhoras expressivas do seu quadro de sa\u00fade em poucas sess\u00f5es. Tamb\u00e9m h\u00e1 casos de pessoas idosas em estado de depress\u00e3o que come\u00e7aram a sorrir e falar ap\u00f3s o contato com os rob\u00f4s\u201d, revela.<\/p>\n<p>A tecnologia afetiva tamb\u00e9m registrou efeitos positivos no tratamento de crian\u00e7as com o espectro autista. \u201cH\u00e1 pesquisas que mostram casos onde a crian\u00e7a com autismo, que n\u00e3o consegue falar com o ser humano, consegue falar ap\u00f3s ser estimulada pelo rob\u00f4 afetivo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Longe de substituir o contato humano, os rob\u00f4s afetivos podem ser grandes aliados na educa\u00e7\u00e3o inclusiva e no tratamento de doen\u00e7as mentais, bem como na companhia das pessoas, tirando-as da solid\u00e3o moderna.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/portal.uern.br\/propeg\/uernciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2024\/10\/Robo-e-Raul-scaled.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-669 size-large\" src=\"https:\/\/portal.uern.br\/propeg\/uernciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2024\/10\/Robo-e-Raul-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/portal.uern.br\/propeg\/uernciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2024\/10\/Robo-e-Raul-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/portal.uern.br\/propeg\/uernciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2024\/10\/Robo-e-Raul-300x200.jpg 300w, https:\/\/portal.uern.br\/propeg\/uernciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2024\/10\/Robo-e-Raul-768x512.jpg 768w, https:\/\/portal.uern.br\/propeg\/uernciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2024\/10\/Robo-e-Raul-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/portal.uern.br\/propeg\/uernciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2024\/10\/Robo-e-Raul-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><b>PR\u00d3-HUMANIDADES<\/b><\/p>\n<p>Dentro da \u00e1rea da uni\u00e3o da rob\u00f3tica com a pr\u00e1tica das emo\u00e7\u00f5es e na qualidade da educa\u00e7\u00e3o, vem sendo desenvolvido no Laborat\u00f3rio de Aprendizagem Rob\u00f3tico (LAR), da Uern Natal, o projeto Pr\u00f3-humanidades. A iniciativa \u00e9 focada na forma\u00e7\u00e3o de profissionais e professores da educa\u00e7\u00e3o especial, principalmente de ensino infantil e m\u00e9dio, em uma perspectiva colaborativa no contexto da educa\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<p>A proposta \u00e9 qualificar e capacitar profissionais das \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade, com o objetivo de desenvolver e implementar recursos e estrat\u00e9gias de Tecnologia Assistiva e Comunica\u00e7\u00e3o Alternativa para alunos da educa\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<p>Segundo o professor Wilfredo Blanco, o projeto visa trabalhar com crian\u00e7as com defici\u00eancia. \u201cO intuito \u00e9 registrar o comportamento de crian\u00e7as com defici\u00eancia para que, com o aux\u00edlio de softwares, possa ao longo do tempo serem estabelecidos padr\u00f5es de a\u00e7\u00f5es, de modo a auxiliar os professores de educa\u00e7\u00e3o especial na tomada de decis\u00f5es\u201d, informa.<\/p>\n<p>Para a pesquisa, est\u00e3o sendo analisadas 12 escolas da rede p\u00fablica de Natal, sendo um caso em cada escola. \u201cCom o aux\u00edlio da intelig\u00eancia artificial, pretendemos identificar padr\u00f5es de comportamento de crian\u00e7as com defici\u00eancias\u201d, afirma Blanco. Esses padr\u00f5es t\u00eam o intuito de ajuda o educador e, consequentemente, proporcionar uma melhoria no ensino especial.<\/p>\n<p>O projeto Pr\u00f3-humanidades foi aprovado e financiado pelo CNPq desde 2022, e \u00e9 desenvolvido por meio de uma parceria entre o departamento de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a colabora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios laborat\u00f3rios, incluindo o LAR-Uern.<\/p>\n<p>Para o coordenador Abner de Santana, as tecnologias, quando bem utilizadas, podem ser um importante aliado dos educadores em sala de aula para integrar ou engajar os alunos ao ambiente de ensino, conquistando a aten\u00e7\u00e3o deles em ocasi\u00f5es que, por vezes, s\u00e3o taxadas como mon\u00f3tonas, chatas ou sem import\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas telas de cinema, a complexa intera\u00e7\u00e3o entre homens e m\u00e1quinas tem sido abordada em diferentes obras, sob os mais variados aspectos. 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