{"id":1057,"date":"2023-03-19T06:06:00","date_gmt":"2023-03-19T09:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/portal.uern.br\/proex\/blog\/2023\/03\/19\/uern-comprometida-com-religioes-de-matriz-africana\/"},"modified":"2023-03-19T06:06:00","modified_gmt":"2023-03-19T09:06:00","slug":"uern-comprometida-com-religioes-de-matriz-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.uern.br\/proex\/blog\/2023\/03\/19\/uern-comprometida-com-religioes-de-matriz-africana\/","title":{"rendered":"Uern comprometida com religi\u00f5es de matriz africana"},"content":{"rendered":"<p>Ao promover e apoiar a diversidade religiosa em todos os seus espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) refor\u00e7a o t\u00edtulo de uma institui\u00e7\u00e3o socialmente referenciada e inclusiva para todos os povos, ra\u00e7as e religi\u00f5es.<\/p>\n<p>No dia 21 de mar\u00e7o, ser\u00e1 comemorado, pela primeira vez, o Dia Nacional das Tradi\u00e7\u00f5es das Ra\u00edzes de Matrizes Africanas e Na\u00e7\u00f5es do Candombl\u00e9, criada pela Lei 14.519\/2023, de 05 de janeiro deste ano.<\/p>\n<p>A Diretoria de A\u00e7\u00f5es Afirmativas e Diversidade (DIAAD) e o N\u00facleo de Estudos Afro-Brasileiros e Ind\u00edgenas (Neabi), ambas da Uern, e o F\u00f3rum das Comunidades Tradicionais de Terreiros de Matriz Afro-Amer\u00edndia de Mossor\u00f3\/RN, est\u00e3o organizando um momento celebrativo para acontecer assim que a situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica no Estado venha a se normalizar e as atividades presenciais voltem a acontecer na Universidade.<\/p>\n<p>O evento contar\u00e1 com um momento afro-religioso com Pai Bolinha, uma performance art\u00edstica com a atriz Tony Silva e as apresenta\u00e7\u00f5es do Maracatu Rei de Paus, de Mossor\u00f3, do EP Afro Lundu, do professor Guilherme Paiva, e a dos Pontos Cantados nos Xang\u00f4s de Mossor\u00f3.<\/p>\n<p>De acordo com a professora Dra. Eliane Anselmo, titular da Diaad e integrante do Neabi, o dispositivo legal representa um marco hist\u00f3rico para a popula\u00e7\u00e3o negra, valorizando as tradi\u00e7\u00f5es de matriz africana do Brasil, em especial as na\u00e7\u00f5es de candombl\u00e9, religi\u00e3o historicamente perseguida e demonizada, como tudo que se refere \u00e0 cultura negra.<\/p>\n<p>\u201cE ainda, vai de encontro \u00e0s demandas da comunidade afro-brasileira por reconhecimento, valoriza\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o de direitos, j\u00e1 apoiada com a promulga\u00e7\u00e3o da Lei 10639\/2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de hist\u00f3ria e cultura afro-brasileiras e africanas nas escolas. A import\u00e2ncia desta data est\u00e1, assim, no reconhecimento e na visibilidade da hist\u00f3ria e das lutas do povo negro, das culturas africanas violentamente colonizadas e de nossas ra\u00edzes afro-brasileiras no pa\u00eds\u201d, destacou a docente.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-102093\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-102093\" src=\"https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Forum-das-Comunidades-Tradicionais-de-Terreiros-e-uma-das-atividades-que-contam-com-o-apoio-da-Universidade-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Forum-das-Comunidades-Tradicionais-de-Terreiros-e-uma-das-atividades-que-contam-com-o-apoio-da-Universidade-300x199.jpg 300w, https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Forum-das-Comunidades-Tradicionais-de-Terreiros-e-uma-das-atividades-que-contam-com-o-apoio-da-Universidade-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Forum-das-Comunidades-Tradicionais-de-Terreiros-e-uma-das-atividades-que-contam-com-o-apoio-da-Universidade-768x509.jpg 768w, https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Forum-das-Comunidades-Tradicionais-de-Terreiros-e-uma-das-atividades-que-contam-com-o-apoio-da-Universidade-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Forum-das-Comunidades-Tradicionais-de-Terreiros-e-uma-das-atividades-que-contam-com-o-apoio-da-Universidade-2048x1356.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">F\u00f3rum das Comunidades Tradicionais de Terreiros \u00e9 uma das atividades que contam com o apoio da Universidade (arquivo Agecom\/Wilson Moreno)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde a cria\u00e7\u00e3o do Neabi, em 2007, a Uern demonstra o seu compromisso com a pauta afro-brasileira e do povo negro de maneira geral, demonstrando defesa, apoio e o incentivo \u00e0s religi\u00f5es de matriz africana na cidade de Mossor\u00f3 e regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir de 2013, a Institui\u00e7\u00e3o vem dando apoio log\u00edstico \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da tradicional Louva\u00e7\u00e3o ao Baob\u00e1 realizada pelos terreiros da cidade, que acontece no dia 20 de novembro, Dia da Consci\u00eancia Negra e de Zumbi dos Palmares.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o do Culto aos Orix\u00e1s no Campus Mossor\u00f3, organizado em parceria com terreiros de Mossor\u00f3 e Areia Branca, que passa posteriormente a integrar o calend\u00e1rio de celebra\u00e7\u00f5es do anivers\u00e1rio da Universidade, tamb\u00e9m mostra o apoio na visibilidade e luta contra a intoler\u00e2ncia religiosa que essas religi\u00f5es historicamente s\u00e3o v\u00edtimas.<\/p>\n<p>O mapeamento das comunidades de terreiros realizado pelo Neabi atrav\u00e9s de uma pesquisa da professora Eliane Anselmo e a cria\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum das Comunidades Tradicionais de Terreiros de Matriz Afro-Amer\u00edndia de Mossor\u00f3\/RN, no ano de 2019, \u00e9 um marco dentro dessa trajet\u00f3ria de a\u00e7\u00f5es. Foi tamb\u00e9m nesse contexto que a Assembleia Legislativa do RN lan\u00e7ou a Frente Parlamentar em Defesa das Comunidades Tradicionais.<\/p>\n<p>Os dados do mapeamento colaboraram, por exemplo, com a distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas pelo Governo do Estado para o povo de terreiro em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade no per\u00edodo da pandemia da covid-19.<\/p>\n<p>\u201cNossa Universidade, sempre disposta e atenta ao fortalecimento dessas pautas, tem dado apoio a a\u00e7\u00f5es e projetos importantes para a comunidade negra e tradi\u00e7\u00f5es de matriz africana. N\u00e3o se pode negar que a Uern \u00e9, de fato, uma universidade inclusiva, includente e socialmente referenciada, que promove inclus\u00e3o, reconhecimento e abre espa\u00e7os para o combate ao preconceito e a intoler\u00e2ncia religiosa\u201d, completa a docente.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica \u201cNegro e Lindo\u201d, organizada pela professora Ivonete Soares, o Projeto Pontos Cantados nos Xang\u00f4s de Mossor\u00f3 e o document\u00e1rio \u201cFilosofia das Pessoas S\u00e1bias: um dedo de prosa sobre as hist\u00f3rias de vida dedicadas \u00e0 Jurema Santa e Sagrada\u201d, que a Uern, atrav\u00e9s do Neabi e do Grupo de Estudos Culturais (Gruesc) realizaram, s\u00e3o algumas das a\u00e7\u00f5es concretas e de impacto direto na vida das pessoas das comunidades de religi\u00f5es de matriz africana, para al\u00e9m de projetos de pesquisa e extens\u00e3o, eventos e outras a\u00e7\u00f5es mais pontuais realizadas ao longo dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-102094\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-102094\" src=\"https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_0404-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_0404-300x200.jpg 300w, https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_0404-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_0404-768x512.jpg 768w, https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_0404-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/portal.uern.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_0404-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pai Bolinha de Ogum (\u00e0 direita) elogia atua\u00e7\u00e3o da Uern pela defesa da diversidade religiosa (Foto: Bruno Soares)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para o Pai Bolinha de Ogum, cartomante Francisco Wellington e coordenador de articula\u00e7\u00e3o s\u00f3cio, pol\u00edtico e religioso do F\u00f3rum de Terreiros de Mossor\u00f3, \u00e9 muito gratificante a atua\u00e7\u00e3o da Uern ao longo dos anos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito importante esse trabalho porque d\u00e1 visibilidade, quebra o preconceito, nessa luta constante contra a intoler\u00e2ncia religiosa. Abre o espa\u00e7o pra gente e isso tem s\u00f3 pontos positivos para todos n\u00f3s, para a nossa cren\u00e7a, a nossa f\u00e9. Esse di\u00e1logo inter-religioso proporciona \u00e0s pessoas poderem se conhecer mesmo tendo cren\u00e7as diferentes, conhecer um ao outro e o espa\u00e7o do outro, a cren\u00e7a do outro. Isso \u00e9 muito importante\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>Lucas S\u00fallivam Marques Leite, coordenador geral do F\u00f3rum das Comunidades Tradicionais de Terreiros de Matriz Afro-Amer\u00edndia de Mossor\u00f3, refor\u00e7a que \u201ca Uern vivencia uma longa caminhada na dire\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de uma universidade socialmente referenciada, melhor dizendo, afrorreferenciada\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, que \u00e9 licenciado em Filosofia e mestre em Educa\u00e7\u00e3o pela Uern, existem quatro momentos que sinalizam um processo de enfrentamento ao racismo nas suas diversas faces e cen\u00e1rios de silenciamento, o qual acontece dentro e fora de seus muros.<\/p>\n<p>Ele cita a forma\u00e7\u00e3o sobre preconceito racial, facilitada pelas professoras da Faculdade de Servi\u00e7o Social, Ivonete Soares e Vanda Camboim (in memoriam), que aconteceu na Associa\u00e7\u00e3o de Docentes da Uern em 1999; a cria\u00e7\u00e3o do Neabi; a institucionaliza\u00e7\u00e3o da Lei de Cotas Raciais e Comiss\u00f5es de Heteroidentifica\u00e7\u00e3o; e a cria\u00e7\u00e3o da Diaad em 2022.<\/p>\n<p>\u201cNesse contexto, a Uern fortalece diretamente os povos de matriz africana e afro-amer\u00edndia. Em destaque, o apoio \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das tradicionais manifesta\u00e7\u00f5es culturais e religiosas \u2013 como a Louva\u00e7\u00e3o ao Baob\u00e1 em Mossor\u00f3 e o Cortejo de Iemanj\u00e1 em Areia Branca -, assim como o apoio \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum das Comunidades Tradicionais de Terreiros de Matriz Afro-Amer\u00edndia de Mossor\u00f3. Em reconhecimento, este mesmo F\u00f3rum assume, em sua carta manifesto, \u00e0 defesa do Neabi\u201d, finaliza Lucas S\u00fallivam.<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><\/p>\n<p>O Dia Nacional das Tradi\u00e7\u00f5es das Ra\u00edzes de Matrizes Africanas e Na\u00e7\u00f5es do Candombl\u00e9 j\u00e1 marca o Dia Internacional de Luta pela Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, criado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em refer\u00eancia ao Massacre de Sharpeville.<\/p>\n<p>Nesta data, no ano de 1960, em Joanesburgo, na \u00c1frica do Sul, um protesto de 20 mil pessoas acontecia contra a segrega\u00e7\u00e3o racial da Lei do Passe, que obrigava a popula\u00e7\u00e3o negra a portar um cart\u00e3o que continha os locais onde era permitida sua circula\u00e7\u00e3o. E mesmo tratando-se de uma manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, a pol\u00edcia do regime de apartheid abriu fogo sobre a multid\u00e3o desarmada resultando em 69 mortos e 186 feridos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao promover e apoiar a diversidade religiosa em todos os seus espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) refor\u00e7a o t\u00edtulo de uma institui\u00e7\u00e3o socialmente referenciada e inclusiva para todos os povos, ra\u00e7as e religi\u00f5es. 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