Alunos de Medicina da UERN promovem orientação sexual em escolas públicas

Os dados de gravidez na adolescência no Brasil impressionam: em 2018, 434 mil adolescentes brasileiras entre 15 e 19 anos foram mães, segundo dados do Ministério da Saúde. Para mudar essa realidade, o governo federal lançou a campanha “Adolescência primeiro, gravidez depois – tudo tem o seu tempo”.

Em Mossoró, dentre as ações direcionadas à questão, a Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (FACS/UERN) realiza dupla função social: por meio de suas ligas acadêmicas, promove um trabalho de educação sexual nas escolas públicas; pelo projeto “Mãe primavera”, presta atendimento gratuito a jovens adolescentes que engravidaram precocemente.

Giulia Mendonça da Silveira, acadêmica do 9º período do curso de Medicina da UERN, conta que o trabalho de educação sexual começou por meio da Liga Acadêmica de Ginecologia, Obstetrícia e Saúde da Mulher da FACS. Ligas acadêmicas são organizações estudantis em torno de temas acadêmicos. Há liga de psiquiatria, de anatomia etc.

“A liga é baseado em ensino, pesquisa e extensão. Na parte de extensão, nós começamos a trabalhar com métodos contraceptivos que inicialmente eram direcionados para o projeto ‘Viva UERN’. Depois, surgiu a oportunidade de trabalhar com escolas públicas”, explicou a aluna.

De acordo com Giulia, as estatísticas da gravidez precoce não são as únicas a preocupar. Algumas doenças sexualmente transmissíveis também merecem atenção.

Para a aluna, “a falta de conhecimento nesse âmbito é o que mais gera consequência. A partir do momento que a gente leva orientações, a gente leva ferramentas para que os jovens possam ter, pelo menos, a decisão de escolher o que vai acontecer dali para a frente, tanto no método contraceptivo ou a decisão de não se proteger diante de uma relação sexual”.

“A gente faz palestra, ação educativa, roda de conversa”, completa a vice-diretora da FACS/UERN, professora doutora Alyssandra Rodrigues, que destaca a importância desse tipo de prestação de serviço à população. Não sem razão: as consequências da gravidez precoce são bastante prejudiciais para mulheres. Segundo dados já divulgados pelos pesquisadores “Mãe primavera”, 93% das jovens atendidas pelo projeto estão fora da escola e do mercado de trabalho e 55% sequer concluíram o Ensino Fundamental.

Escolas podem solicitar serviço à Faculdade de Ciências da Saúde

De acordo com a professora Alyssandra Rodrigues, a organização do trabalho ocorre a partir da própria demanda. Por isso, as escolas podem solicitar o serviço a professores, alunos ou servidores da Faculdade de Ciências da Saúde.

“É um serviço que depende da demanda e também da disponibilidade dos alunos, porque são ações que requerem bastante tempo e preparação. O curso de Medicina é bem puxado e os alunos precisam de tempo para se preparar, para irem às escolas etc.”, disse a professora. Alyssandra informa que o trabalho das ligas acadêmicas é esse mesmo: “Basta que tenha demanda e a gente tenha um tempo com antecipação para se preparar”.

“Tem sido bastante interessante o retorno, porque, durante as ações, a gente percebe os participantes se interessando, perguntando, tirando dúvidas, o que nos deixa bastante satisfeitos, sinal que a gente está ali fazendo a diferença, que estamos fazendo algo que possa mudar o futuro dessas pessoas”, completa Giulia, a aluna do 9º período de Medicina mencionada no início da matéria.

Vale lembrar que, para as jovens que já engravidaram, os serviços do projeto “Mãe primavera” foram retomados ainda em janeiro. Os atendimentos são promovidos todas as quintas-feiras pela manhã no ambulatório da FACS/UERN, localizado no bairro Aeroporto.

Integram o “Mãe primavera” os Programas de Residência Médica de Ginecologia e Obstetrícia e Medicina de Família e Comunidade da UERN/PMM; o estágio supervisionado em Ginecologia e Obstetrícia da FACS/UERN; e a LIGA de Ginecologia e Obstetrícia da FACS/UERN.